Cantares de Salomão
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Descarregue este livro como livro eletrónico: Edição Restaurada do Editor (PDF, edição em inglês)
A Edição Restaurada do Editor é um testemunho independente: o mestre editorial recuperado deste livro (o Mestre Editorial do Antigo Testamento v17, recuperado em 2026-10-17), oferecido para descarregar junto ao texto de leitura desta página — não é o mesmo texto que a página de leitura. O mestre é anterior às decisões de David sobre o Nome Sagrado de 2026-10-11 e segue a sua convenção de nomes anterior (God → Elohim; o título Lord → Sovereign; o «lord» humano → master); a página de leitura segue as decisões atuais. O estado do próprio mestre: Gênesis–2 Crônicas verificado e congelado; Esdras–Malaquias com revisão contextual pendente. Este PDF é a edição em inglês.
Capítulo 1
1 O cântico dos cânticos, que é de Salomão.
2 Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.
3 Suave é o aroma dos teus unguentos; como unguento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.
4 Leva-me tu; correremos após ti. O rei me levou às suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam.
5 Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.
6 Não olheis para o eu ser morena, porque o sol olhou para mim; os filhos de minha mãe se indignaram contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, que me pertence, não guardei.
7 Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?
8 Se tu o não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores.
9 A uma égua dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor.
10 Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares.
11 Nós te faremos enfeites de ouro com incrustações de prata.
12 Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.
13 O meu amado é para mim um ramalhete de mirra, que repousa entre os meus seios.
14 Como um cacho de Chipre nas vinhas de Engedi é para mim o meu amado.
15 Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.
16 Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verdejante.
17 As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste.
Capítulo 2
1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
2 Qual o lírio entre os espinhos, tal é o meu amor entre as filhas.
3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejei muito a sua sombra, e debaixo dela me assentei; e o seu fruto era doce ao meu paladar.
4 Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.
5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.
6 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.
7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira.
8 Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.
9 O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
10 O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
11 Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou, e se foi;
12 Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
13 A figueira já deu os seus figuinhos, e as vides em flor exalam o seu aroma: levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto dos lugares íngremes, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa.
15 Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
16 O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
17 Antes que refresque o dia, e caiam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.
Capítulo 3
1 De noite, em meu leito, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei.
2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei.
3 Acharam-me os guardas que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma?
4 Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; agarrei-me a ele, e não o largarei, até que o introduza em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou.
5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira.
6 Quem é esta que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumada de mirra, de incenso, e de toda a sorte de pós aromáticos do mercador?
7 Eis que é o leito de Salomão; sessenta valentes estão ao redor dele, dos valentes de Israel;
8 Todos eles trazem espadas, exercitados na guerra; cada um com a sua espada à cinta por causa dos temores noturnos.
9 O rei Salomão fez para si um palanquim de madeira do Líbano.
10 Fez-lhe as colunas de prata, o estrado de ouro, o assento de púrpura, o interior revestido com amor, pelas filhas de Jerusalém.
11 Saí, ó filhas de Sião, e contemplai o rei Salomão com a coroa com que o coroou sua mãe no dia do seu desposório e no dia do júbilo do seu coração.
Capítulo 4
1 Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade.
2 Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
3 Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua face é como um pedaço de romã por baixo do teu véu.
4 O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos.
5 Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.
6 Antes que refresque o dia, e caiam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso.
7 Tu és toda formosa, ó meu amor, e em ti não há mancha.
8 Vem comigo do Líbano, ó esposa minha, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos.
9 Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um dos colares do teu pescoço.
10 Quão formosos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhores são os teus amores do que o vinho! E o aroma dos teus unguentos do que o de todas as especiarias!
11 Favos de mel manam dos teus lábios, ó minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o aroma dos teus vestidos é como o aroma do Líbano.
12 Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
13 Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo.
14 O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
15 És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
16 Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! Entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!
Capítulo 5
1 Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa; colhi a minha mirra com a minha especiaria, comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite; comei, amigos, bebei abundantemente, ó amados.
2 Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.
3 Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?
4 O meu amado pôs a sua mão pela fresta da porta, e as minhas entranhas estremeceram por amor dele.
5 Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos mirra com doce aroma, sobre os ferrolhos da fechadura.
6 Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado tinha se retirado, e tinha ido; a minha alma desfaleceu quando ele falou; busquei-o e não o achei, chamei-o, e não me respondeu.
7 Acharam-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me, feriram-me, tiraram-me o manto os guardas dos muros.
8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe digais que estou enferma de amor.
9 Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras?
10 O meu amado é branco e rosado; ele traz o estandarte entre dez mil.
11 A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos como o corvo.
12 Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste.
13 As suas faces são como um canteiro de especiarias, como caixas aromáticas; os seus lábios são como lírios que gotejam mirra com doce aroma.
14 As suas mãos são como anéis de ouro engastados em berilo; o seu ventre como alvo marfim, coberto de safiras.
15 As suas pernas são como colunas de mármore fundadas sobre bases de ouro puro; o seu parecer é como o Líbano, excelente como os cedros.
16 O seu paladar é muitíssimo suave, sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.
Capítulo 6
1 Para onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se retirou o teu amado, e o buscaremos contigo?
2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para apascentar nos jardins e para colher os lírios.
3 Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele apascenta entre os lírios.
4 Formosa és, ó meu amor, como Tirza, graciosa como Jerusalém, terrível como um exército com bandeiras.
5 Desvia de mim os teus olhos, porque eles me dominam. O teu cabelo é como o rebanho das cabras que aparecem em Gileade.
6 Os teus dentes são como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e não há estéril entre elas.
7 Como um pedaço de romã é a tua face por baixo do teu véu.
8 Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem número.
9 Porém a minha pomba, a minha imaculada, é só uma; é a única de sua mãe, e a mais querida daquela que a deu à luz; as filhas a viram e a chamaram bem-aventurada, as rainhas e as concubinas a louvaram.
10 Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, terrível como um exército com bandeiras?
11 Desci ao jardim das nogueiras, para ver os frutos do vale, e ver se floresciam as vides e brotavam as romãzeiras.
12 Antes de eu perceber, a minha alma me pôs nos carros de Aminadibe.
13 Volta, volta, ó Sulamita, volta, volta, para que nós te vejamos. Por que olhas para a Sulamita como para as fileiras de dois exércitos?
Capítulo 7
1 Quão formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do príncipe! As voltas das tuas coxas são como joias, obra das mãos de excelente artífice.
2 O teu umbigo é como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre é como um monte de trigo, cercado de lírios.
3 Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos de uma gazela.
4 O teu pescoço é como uma torre de marfim; os teus olhos como os viveiros de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz é como a torre do Líbano, que olha para Damasco.
5 A tua cabeça sobre ti é como o monte Carmelo, e os cabelos da tua cabeça são como a púrpura; o rei está preso nas galerias.
6 Quão formosa, e quão agradável és, ó amor em delícias!
7 A tua estatura é semelhante à palmeira; e os teus seios são como os cachos de uvas.
8 Dizia eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus ramos; e então os teus seios serão como os cachos da vide, e o aroma da tua respiração como o das maçãs,
9 E o teu paladar como o bom vinho para o meu amado, que corre suavemente, fazendo falar os lábios dos que dormem.
10 Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição.
11 Vem, ó meu amado, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.
12 Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se já aparecem os cachos, se já brotam as romãzeiras; ali te darei os meus amores.
13 As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há todo o gênero de excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti.
Capítulo 8
1 Ah! Quem me dera que foras como meu irmão, que mamou os seios de minha mãe! Quando eu te encontrasse fora, beijar-te-ia, e não me desprezariam.
2 Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático, o mosto das minhas romãs.
3 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abrace.
4 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que ele queira.
5 Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada ao seu amado? Debaixo da macieira te despertei; ali esteve tua mãe com dores, ali esteve com dores aquela que te deu à luz.
6 Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, labaredas intensas.
7 As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa por este amor, certamente o desprezariam.
8 Temos uma irmã pequena, que ainda não tem seios; que faremos à nossa irmã, no dia em que for pedida?
9 Se ela for um muro, edificaremos sobre ela um palácio de prata; e, se ela for uma porta, cercá-la-emos com tábuas de cedro.
10 Eu sou um muro, e os meus seios são como as suas torres; então eu era aos seus olhos como aquela que acha paz.
11 Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; entregou esta vinha a uns guardas; cada um trazia pelo seu fruto mil peças de prata.
12 A minha vinha, que me pertence, está diante de mim; para ti, ó Salomão, serão as mil peças, e para os que guardam o seu fruto, duzentas.
13 Ó tu, que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos à tua voz; faze-me, pois, também ouvi-la.
14 Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes das especiarias.